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“ECO” é enaltecido pela critica.

A Cia KÀ de Teatro com certeza foi umas das companhias que mais movimentou (e abrilhantou) a programação do Fringe, no 32ª Festival de Curitiba. A primeira edição da mostra NAMOSKÀ contou com 6 peças teatrais e 4 oficinas que ocuparam o palco do Mini Guaíra (auditório Glauco Flores de Sá Brito).

Venho acompanhando o trabalho da Cia KÀ desde o lançamento de DOCE (desilusão) em 2020, projeto audiovisual de criação dos artistas fundadores da companhia, Caio Frankiu e Kelvin Millarch.










Lembro vividamente desse momento, de acompanhar o trabalho da KÀ, em meio a pandemia, e me deliciar sonhando com o futuro em que poderia, finalmente, vê-los de perto.

O futuro finalmente chegou, e muito bem servido. Inclusive, essa crítica talvez nem seja uma crítica, mas sim uma ode aos trabalhos da KÀ.

Comecemos então pelo nome, KÀ, que se refere ao termo Ka, do egípcio antigo, equivalente à ideia ocidental de “alma”, mas que, no entanto, aproxima-se mais de uma ideia em torno da força vital que mantém os seres vivos – a essência de cada ser. Talvez seja difícil entender de fato o que significa o Ka, mas para mim, seu sentido se aproxima desse desejo de se alimentar a alma.

E o que, de fato, alimenta a alma?

A arte alimenta a alma. A minha, pelo menos – e acredito, sinceramente, que a sua também, caríssimos leitores.

Assim é a Cia KÀ. Não há nome melhor que defina o trabalho de Caio e Kelvin, e de toda a equipe que compõem a companhia.

Todos os trabalhos que pude apreciar estão a serviço de algo maior que nossas peles. Algo que não é tangível, mas sensível, como em um ritual.

E assim foram também as impressões que em mim pousaram após “ECO”, uma das peças que compuseram a Mostra NAMOSKÀ.











Na mitologia greco-romana, Eco, a ninfa querida da deusa Ártemis, amava sua própria voz. Na versão do poeta Ovídio, Eco se apaixona por Narciso, mas este a rejeita, e em desespero, a ninfa reza para que Afrodite tire-lhe a vida, mas seu pedido não é concedido. Em outra versão, Pã apaixona-se por Eco, que não corresponde aos seus sentimentos, e, portanto, o deus ordena que seus seguidores a matem e espalhem seus restos pela Terra.

Na versão da Cia KÀ, “ECO” provoca o imaginário do público ao contar uma história clássica com elementos que fogem do padrão erudito europeu. Pelo contrário, a companhia incorporou elementos brasileiríssimos à montagem, como a trilha sonora, com músicas da banda Teto Preto, que mesclam o techno e darkwave com jazz e house, e artistas como Linn da Quebrada, Ventura Profana e Podeserdesligado que colaboraram no remix da música “Bixa Travesty – Poder y Glória”, tocada em uma das cenas finais da peça. A trilha sonora marcante é um dos elementos viscerais da montagem, guiando as atrizes e à dramaturgia em uma celebração sagrada e profana.







Junto a sonoridade, as luzes também provocavam o público e em muitos momentos transformavam o palco do Mini Guaíra em um caos poético – como se o teatro se tornasse um vulcão em erupção, e as atrizes, como lava, incendiavam os olhares da plateia.

Destaco aqui uma das cenas mais lindas que já vi, no qual, em celebração, as ninfas, ao se reunirem em roda, transformavam-se, em um segundo, no quadro “A dança” de Henri Matisse, mas que também, no próximo segundo, desconstruíam-se e tornavam-se água, corpos em estado líquido que escorriam ao chão.











A peça como um todo é uma sucessão de quadros em movimento; a peça como um todo é uma celebração. E nem por isso deixa o fim de Eco menos trágico.

Não posso deixar de exaltar o trabalho de corpo e voz do elenco, e da direção de Caio Frankiu, do qual sempre fui fã, desde os tempos de “Helena” (2012), montagem do Grupo de Dança Contemporânea do Colégio Estadual do Paraná (DANCEP).

Assistir o crescimento de artistas como Caio e Kelvin, na cena artística curitibana, aquece e movimenta o coração, assim como “ECO”, que ainda ecoa e continuará ecoando em minha alma!

Vida longa à Cia KÀ! Vida eterna ao Teatro!

Evoé!

E até breve…




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