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Odelair e Doce² se apresentam na Semana da Cultura de Ponta Grossa

Durante os dias 19 e 20 de maio de 2023, a convite da Prefeitura de Ponta Grossa, a Cia Kà de Teatro apresentou os espetáculos Odelair: Uma peça teatral e Doce² na programação da 37º Semana da Cultura Bruno e Maria Enei', promovida pela Secretaria de Cultura da cidade.


O tema da edição deste ano do evento foi: "Vir para ver", e teve a dinâmica de ocultar do público o conteúdo prévio sobre os espetáculos, divulgando apenas as datas e horários das apresentações.




Odelair: Uma peça teatral, abriu a programação do evento no dia 19, às 20h, no Palco A do Cine Teatro Ópera.


O espetáculo conta com Amanda Soares, Bruno Sanctus, Caio Frankiu, Dani Rocha, Luiz Nogueira e Mattias de Sales no elenco, e narra a história de Odelair Rodrigues, musa do teatro paranaense, e primeira atriz negra do estado. Sua história é contada por meio da linguagem do metateatro, onde ficção e realidade se misturam.


Apresentar a peça pela primeira vez num espaço diferente e bem maior daquele que estávamos acostumados, nos deu uma sensação de novidade. É como se estivéssemos estreando a peça naquele dia. Foi um misto de ansiedade somado com a segurança de já ter contado essa história outras vezes.


A recepção do público nos emocionou. Estamos imersos na vida de Odelair Rodrigues há bastante tempo, e nos apaixonamos perdidamente por ela a cada detalhe que conhecemos sobre a sua personalidade.


É delicado e desafiador ter nas mãos a vida de uma pessoa com mais de 50 anos de carreira, repleta de dores, alegrias e obstáculos intensificados pelo racismo, do qual infelizmente ela não escapou, e transformar tudo isso em arte, honrando sua memória, durante um espetáculo de pouco mais de 1h de duração.


Assumimos a responsabilidade de contar a sua história com a seguinte missão: As pessoas precisam conhecer Odelair Rodrigues. O seu legado não pode ser apagado.


Era por volta de 22h do dia 20 quando uma mulher abordou parte do elenco na rua para fazer uma confissão: "Vocês emocionaram a mim e as minhas filhas. Nunca vou me esquecer da experiência que tive ontem, e do privilégio que foi conhecer a história de Odelair Rodrigues”.


Infelizmente cometemos o pecado de não lembrar o nome desta mulher, mas o seu olhar e suas palavras de comoção ainda ecoam na lembrança daqueles que tiveram a oportunidade de ouvi-la.


O amor que o elenco tem por Odelair foi a principal força motriz que nos conduziu a encontrar a melhor forma possível de contar a sua vida, e superar os desafios que um processo criativo nos impõe.


O relato dessa mulher e de tantas outras pessoas que assistiram nosso espetáculo nos prova que conseguimos construir uma memória afetiva entre o público e Odelair, apesar de muitas dessas pessoas não terem a conhecido em vida.


Odelair dedicou a sua vida inteiramente à arte, e é por meio dela que, 20 anos após a sua morte, ela continua presente e viva na memória do público.



No dia 20 foi a vez de Doce² se apresentar, às 19h, no Palco B do Cine Teatro Ópera. Doce é um monólogo de dança teatro que permeia as fases de descontrole de uma mente confusa, aflita e que busca a alucinação para fugir da angústia.


Ele é fruto da parceria entre o ator e diretor Caio Frankiu e o diretor e dramaturgo Kelvin Millarch, e possui uma característica confessional, uma espécie de autoficção. É como se, a partir dessa parceria, os dois colocassem conflitos e angústias íntimas codificadas sob a ótica da arte.


Talvez você que esteja lendo esse texto agora, e não tenha assistido ao espectáculo, se pergunte: É realmente possível que um espetáculo de caráter confessional e intimista alcance o emocional de um público heterogêneo, com vivências distintas?


É possível sim, porque a angústia é um sentimento universal. Qualquer pessoa com o mínimo de subjetividade está sujeito a conectar cenas do espetáculo dentro das suas próprias circunstâncias.


Ao olhar para a platéia, percebemos muitas pessoas com lágrimas nos olhos, e se perguntássemos para cada uma delas a razão pela qual se emocionaram, sem dúvidas receberíamos respostas diferentes uma das outras.


É o poder da associação, o que Carl Jung chamou de Inconsciente Coletivo, uma espécie de herança psíquica que todos nós seres humanos compartilhamos, apesar das nossas diferenças.


Essa identificação do público não é conquistada gratuitamente por qualquer espetáculo. É necessário uma dramaturgia sustentada a partir de um entendimento profundo do ser humano, e o talento de um ator totalmente disponível corporalmente e emocionalmente. E esses são os principais trunfos de Doce².


Agradecemos a Secretaria de Cultura de Ponta Grossa pela recepção, desde a van que nos transportou até a cidade, à comodidade oferecida pelo Hotel Barbur, onde ficamos hospedados, e o restaurante Raffinato, onde almoçamos e jantamos.


Agradecemos também aos ponta-grossenses pela presença e prestígio em nossas apresentações.



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